Voluntários mudam a vida de colegas em Londrina

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Atualizado em: 13 de julho de 2017

Solidariedade é a palavra de ordem em Londrina para um grupo de militares da reserva que há dois anos resgata colegas que precisam de ajuda. Os voluntários já somam 256 nomes, dos quais 20 são bastante ativos e mobilizam os demais sempre que preciso.

E a necessidade é grande. Os principais problemas atendidos por eles dizem respeito a militares da reserva que enfrentam doenças como a depressão, o afastamento da família e a falta de recursos.

Neste momento, o grupo está terminando de reformar a casa do Cabo RR Cardoso, de 72 anos. Abatido por dois AVCs, uma esposa idosa e a filha que ficou cega por diabetes, o ex-cabo está recebendo toda a atenção. O grupo providencia documentação para a família e solicitação de aposentadoria. O presidente da AVM, Coronel Washington Alves da Rosa, visitou a casa do Cabo Cardoso nesta semana e colocou o departamento jurídico da Associação à disposição para ajudar no que for preciso. “O trabalho dos voluntários é admirável e a AVM está com eles para melhorar a vida de quem necessita”, diz o Coronel.

“Estamos levando o Cardoso para hidroterapia e a filha para o Instituto dos Cegos, para que ela possa retomar a vida. Não soltamos a pessoa enquanto não a vemos bem encaminhada”, conta o Subtenente Leonardo Militão da Silva, de 62 anos, um dos fundadores do grupo, enquanto toca a obra na casa do colega.

Outro caso recente é a construção de uma nova casa para o Sargento RR Abelino Soares de Cerqueira. O associado da AVM teve sua casa totalmente destruída pelo fogo, em Londrina, no início deste ano. Além de doações em dinheiro, que possibilitaram à família do Sargento pagar aluguel durante três meses, os voluntários fizeram um mutirão de trabalho e puseram mãos à obra. “Chegamos com a cara e a coragem e ajuda do Coronel Nilson, que é engenheiro. O Sargento estava sem saber o que fazer, com  três filhos e quatro netos, o pagamento todo comprometido. Encampamos a ideia e em três meses ele estava de casa nova.”

Militão explica que há de coronéis a soldados entre os voluntários, além de bombeiros e ex-policiais civis, que também se incorporaram aos poucos. Tudo começou com a vontade de rever os amigos em um almoço mensal. Logo criou-se um grupo de whatsapp e a comunicação entre eles mostrou que havia mais do que amizade a preservar.

Os casos dramáticos de colegas muito doentes, perdidos, sem vontade de viver, passaram a comover os amigos. “O pessoal se aposenta muito cedo, sem estar preparado, e acaba entrando em conflito com a família”, relata o Subtenente Militão.

Hoje os voluntários fazem vaquinhas para as necessidades imediatas, recorrem a empresas e a conhecidos para ajudar a quem precisa, tanto do ponto de vista material quanto de apoio psicológico.

Tudo começa com a identificação de quem está em dificuldades. O grupo entra em contato com a pessoa, organiza um almoço na casa dela e chega lá com uma grande compra de mantimentos. A tarde é dedicada a relembrar os velhos tempos e a levantar o moral do anfitrião. Sempre há um pastor presente, para o reforço espiritual.

A partir daí, começam as ações concretas necessárias, que podem incluir o encaminhamento a psicólogo e a médico. Em geral, o colega começa a se reerguer e a caminhar junto com o grupo, tornando-se também um voluntário.

Os almoços da primeira quarta-feira do mês serão feitos no Grepom de Londrina a partir de agosto, a convite do Coronel Washington.